MIT 2026: Como há vinte anos
Akròama Teatro Stabile D’Innovazione (Itália)
Uma mulher solitária, melancólica e visionária reconstrói situações pessoais através de palavras, suspensa numa atmosfera que não consegue decifrar, seja ela real ou puramente ficcional. Por vezes, a mulher recorda ter tido outro papel, talvez mais uma visão, na qual encarna Hécuba, uivando a sua dor no meio das chamas que devastam Tróia.
Numa dissociação contínua e dupla do ser, emprestando o seu corpo ao espírito extremamente perturbado da esposa de Príamo, a mulher viaja a toda a velocidade rumo à solidão completa, onde apenas as suas invenções e os pertences de Hécuba encontrarão vida. A cenografia, a iluminação, os ecos acústicos e mnemónicos, e a representação contribuem para realçar o poder evocativo e o lirismo da tragédia euripidiana; a música contemporânea, os objetos e as verbalizações trazem à consciência as marcas indeléveis da música clássica e do mito que, felizmente, acompanha a alma nas nossas fragmentações e solidões metropolitanas.
Ficha técnica
Texto e encenação Lelio Lecis
Interpretação Tiziana Martucci
Espaço cénico Valentina Ena
Figurinos Marco Nateri
Música Bob Dylan
Música original Mauro Palmas
Arranjos musicais Riccardo Leone
Direção técnica Lele Dentoni
Duração 45 minutos
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