CASA PORTUGUESA
Casa Portuguesa conta a história (ficcional) de um ex-soldado da
Guerra Colonial que, dialogando com os seus fantasmas, se vê
confrontado com a decadência e a transformação do ideal de casa, de
família, de país e do cânone da figura paterna. Um retrato do que foi,
do que é e do que poderá ser (ou não ser) a célula familiar patriarcal
por excelência, a casa, tendo como pano de fundo os acontecimentos
recentes da nossa democracia e revisitando a mais dolorosa das
feridas abertas da nossa história.
Em data incerta, talvez no final dos anos 40, num bar de um hotel em
Moçambique, três portugueses escrevem a canção Uma Casa
Portuguesa, um fado pobre e alegre que reproduz um saudosismo
estereotipado de uma ideia de Portugal, bem ao gosto da ideologia do
Estado Novo. Fado que, passados 48 anos de vida democrática, ainda
muitos portugueses sabem de cor.
Em 1968, Joaquim Penim, parte, a contragosto e contra a sua ideologia,
para a Guerra Colonial em Moçambique, experiência que servirá de
matéria, muitos anos depois, para o seu livro No Planalto dos
Macondes.
Em 2021, Emanuele Coccia edita Filosofia della Casa, um ensaio que
descreve a casa como um espaço em que injustiças, opressões e
desigualdades foram escondidas e reproduzidas mecanicamente
durante séculos. É na casa e através da casa, por exemplo, que se gera
a maior parte da violência sexual, que se privilegia a
heteronormatividade e o racismo.
É da conjugação destes três materiais – fado, diário de guerra e ensaio
filosófico – que nasce o espetáculo Casa Portuguesa.
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