ENCONTROS DA IMAGEM 2023 – ON THE EXPLORATION OF FRAGMENTED FUTURES
Como abordar algo que ainda não existe, tão intangível quanto o
futuro? Melhor ainda, o que é o futuro, para quem se destina, e em que
circunstâncias? Será o futuro uma entidade uniforme e homogénea ou, pelo
contrário, existirão múltiplos futuros, muitas vezes divergentes? Este trabalho
explora algumas destas questões num território específico, como é o caso da
cidade de Braga. Vivemos atualmente num tempo onde o futuro está bem presente. As
catástrofes que outrora se julgavam iminentes tornaram-se, através do
Antropoceno, a regra geral da nossa existência contemporânea. Convergem com
desenvolvimentos científicos inovadores, em sociedades mais ou menos dinâmicas,
em opções políticas, e nas instituições que as suportam. Antigas e novas formas
de espiritualidade e religião, extensões dos corpos humanos e da sua
imaginação, bem como esses mesmos corpos e as imaginações e expetativas que
lhes são inerentes, viajam frequentemente para lugares distantes, revelando
histórias de grande coragem, resiliência e sofrimento. O tempo e os futuros
são, assim, entendidos, percecionados, contados, moldados e sentidos de formas
particularmente divergentes, revelando a sua heterogeneidade e a
inevitabilidade da sua construção individual e social. Pensar estas questões exige a necessidade de pensar o tempo sincrónico
ou diacrónico como maleável, fluido, entrelaçando experiências imaginadas e
vividas, individuais e coletivas. Estas são criadas e adaptadas de acordo com
as seis orientações que os antropólogos Rebecca Bryant e Daniel Knight
sugeriram para determinar as diferentes profundidades e urgências destes
futuros: antecipação, expetativa, especulação, potencialidade, esperança e
destino. Para o efeito, perguntei ao ChatGPT, a agora inevitável ferramenta de
IA, quem e o que contribuía para estabelecer diferentes futuros em Braga, e
como esses futuros se desenvolviam. Isto revelou várias conceções do que é o
futuro, ou os futuros, relativamente ao que não há muito tempo era o futuro,
neste caso a IA. Como tal, este trabalho tornou-se um portal para os diferentes
e por vezes concorrentes futuros de Braga através das diferentes formas de
navegar no presente. Pretende reimaginar a nossa relação com estes futuros
fragmentados, chamando à ação noções lineares e não lineares de tempo e
temporalidades, através da ciência, religião e espiritualidade, tradição,
saúde, educação e, claro, fluxos migratórios. Estes estão emaranhados e
permeados em tempo compactado ou tempo expandido, com os coletivos a que
pertencemos, com as identidades que partilhamos, com os mapas e cosmologias
locais através dos quais nos movemos. Indo um pouco mais além, pedi ao ChatGPT que me dissesse como fazer a
fotografia que trataria deste futuro específico, indagando sobre composição,
luz, profundidade de campo, pose, entre as demais regras fotográficas usuais.
Nesse sentido, a minha intenção era manter a minha agência artística, ao mesmo
tempo que lidava e negociava com o inevitável novo
futuro-que-se-torna-presente, a IA. Uma espécie de abordagem curatorial. Com este trabalho, pretendi questionar os mecanismos através dos quais
ativamos os futuros que são mais significativos para nós, sabendo que os
configuramos consoante a nossa experiência, antecedentes, identidades e muitas
outras variáveis. Como podemos antecipar as consequências desejadas e não
desejadas? Que profecias podemos afirmar com um grau de certeza fiável, sabendo
que estes futuros que projetamos, ou em que vivemos, são permanentemente
desafiados, alterados ou distorcidos? Este é um primeiro passo para compreender
a profundidade, a complexidade e a heterogeneidade de tais ‘futuros’.
A reserva só é válida após confirmação da parte do Theatro Circo enviada por correio eletrónico.
Os seus dados pessoais serão tratados pelo Theatro Circo com base no seu consentimento.
Ao submeter os seus dados, concorda com os termos definidos na Política de Privacidade.