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ENCONTROS DA IMAGEM 2023 – ON THE EXPLORATION OF FRAGMENTED FUTURES

Salão Nobre
Entrada livre

Carlos Barradas
On the exploration of fragmented futures

Como abordar algo que ainda não existe, tão intangível quanto o
futuro? Melhor ainda, o que é o futuro, para quem se destina, e em que
circunstâncias? Será o futuro uma entidade uniforme e homogénea ou, pelo
contrário, existirão múltiplos futuros, muitas vezes divergentes? Este trabalho
explora algumas destas questões num território específico, como é o caso da
cidade de Braga.  Vivemos atualmente num tempo onde o futuro está bem presente. As
catástrofes que outrora se julgavam iminentes tornaram-se, através do
Antropoceno, a regra geral da nossa existência contemporânea. Convergem com
desenvolvimentos científicos inovadores, em sociedades mais ou menos dinâmicas,
em opções políticas, e nas instituições que as suportam. Antigas e novas formas
de espiritualidade e religião, extensões dos corpos humanos e da sua
imaginação, bem como esses mesmos corpos e as imaginações e expetativas que
lhes são inerentes, viajam frequentemente para lugares distantes, revelando
histórias de grande coragem, resiliência e sofrimento. O tempo e os futuros
são, assim, entendidos, percecionados, contados, moldados e sentidos de formas
particularmente divergentes, revelando a sua heterogeneidade e a
inevitabilidade da sua construção individual e social. Pensar estas questões exige a necessidade de pensar o tempo sincrónico
ou diacrónico como maleável, fluido, entrelaçando experiências imaginadas e
vividas, individuais e coletivas. Estas são criadas e adaptadas de acordo com
as seis orientações que os antropólogos Rebecca Bryant e Daniel Knight
sugeriram para determinar as diferentes profundidades e urgências destes
futuros: antecipação, expetativa, especulação, potencialidade, esperança e
destino. Para o efeito, perguntei ao ChatGPT, a agora inevitável ferramenta de
IA, quem e o que contribuía para estabelecer diferentes futuros em Braga, e
como esses futuros se desenvolviam. Isto revelou várias conceções do que é o
futuro, ou os futuros, relativamente ao que não há muito tempo era o futuro,
neste caso a IA. Como tal, este trabalho tornou-se um portal para os diferentes
e por vezes concorrentes futuros de Braga através das diferentes formas de
navegar no presente. Pretende reimaginar a nossa relação com estes futuros
fragmentados, chamando à ação noções lineares e não lineares de tempo e
temporalidades, através da ciência, religião e espiritualidade, tradição,
saúde, educação e, claro, fluxos migratórios. Estes estão emaranhados e
permeados em tempo compactado ou tempo expandido, com os coletivos a que
pertencemos, com as identidades que partilhamos, com os mapas e cosmologias
locais através dos quais nos movemos. Indo um pouco mais além, pedi ao ChatGPT que me dissesse como fazer a
fotografia que trataria deste futuro específico, indagando sobre composição,
luz, profundidade de campo, pose, entre as demais regras fotográficas usuais.
Nesse sentido, a minha intenção era manter a minha agência artística, ao mesmo
tempo que lidava e negociava com o inevitável novo
futuro-que-se-torna-presente, a IA. Uma espécie de abordagem curatorial.  Com este trabalho, pretendi questionar os mecanismos através dos quais
ativamos os futuros que são mais significativos para nós, sabendo que os
configuramos consoante a nossa experiência, antecedentes, identidades e muitas
outras variáveis. Como podemos antecipar as consequências desejadas e não
desejadas? Que profecias podemos afirmar com um grau de certeza fiável, sabendo
que estes futuros que projetamos, ou em que vivemos, são permanentemente
desafiados, alterados ou distorcidos? Este é um primeiro passo para compreender
a profundidade, a complexidade e a heterogeneidade de tais ‘futuros’.