Julho é de Jazz: Mário Laginha
Retorno
É curioso pensar que um músico habituado a dar concertos a solo com regularidade tenha esperado dezanove anos para gravar o seu segundo álbum de piano. A explicação é simples: ao longo deste tempo, estive sempre envolvido em projetos muito variados, que me apaixonaram. Não posso dizer que haja um vazio, simplesmente, o trabalho de partilha musical foi sempre falando mais alto. O tempo, como sabemos, não fica à espera. Mas eis que, finalmente, ele aqui está. Ao contrário de Canções e Fugas (2006), Retorno apresenta uma estrutura mais livre. Integra uma série de temas que fui compondo e improvisos criados durante a própria gravação. Fascina-me esta possibilidade de me sentar ao piano sem fazer ideia nenhuma do que irei tocar. Alguns improvisos parecem ter sido parcialmente escritos, outros deixam claro que não. Ambos me divertem e desafiam. Com este disco – sem dúvida, resultado da parceria destes últimos anos com o Camané – fui deixando cair as barreiras que tinha erguido entre mim e o fado. Há, por isso, uma permeabilidade intencional a novas influências que, de formas mais ou menos óbvias, estão aqui presentes.
Depois de dezanove anos, retorno a uma solidão que, apesar de tudo, nunca me foi estranha.
- Mário Laginha
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