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28 novembro (seg) Cinema

O JOVEM CUNHAL

21h30 Pequeno Auditório
4 € / Cartão Pentágono 2 €   M/12  

de João Botelho

2022 | 1h15 | M12
| Portugal
“Um filho adoptivo do proletariado”, disse
de si mesmo Alvaro Cunhal. E disse bem. Filho de mãe austera, muito católica e
conservadora de quem herdou o caracter e de um pai advogado, progressista, com
ideias socialistas, “um homem bom” de quem herdou as convicções, muito cedo
procurou o comunismo, muito cedo o encontrou. Os seus heróis? Um colectivo, a
grandiosa revolução russa que fez tremer e mudar o mundo. Outro individual, o
generoso e grande dirigente comunista Bento Gonçalves.
“Em nenhum outro politico português se condensa melhor a história do Portugal
que recusava Salazar” escreveu José Pacheco Pereira. Em nenhum outro português
nos terríveis tempos do século XX se encontra um homem com tanta coragem para
defender aquilo que acredita, digo eu. Coragem é a palavra justa para definir o
jovem Cunhal que aos vinte anos já era um homem. E tantos anos na
clandestinidade e tantos anos na prisão! Isolado, espancado e torturado nunca
disse nada, nunca cedeu. Escreveu textos notáveis. Leiam, ou melhor ouçam “a
superioridade moral dos comunistas”, “se fores preso camarada” ou a tese de
formatura que, sob prisão, foi defender perante um júri fascista, “o direito ao
aborto das mulheres trabalhadoras”. E excertos dos seus vários livros, romances
e contos escritos sob pseudónimo Manuel Tiago, muitas vezes auto-biográficos. E
dizer também, que em tempos mais calmos, o jovem Cunhal foi o teórico, formador
e agitador do movimento neo-realista. Encontrar o modo certo de filmar o
percurso de um jovem complexo e corajoso foi tão difícil como fascinante. Para
mim não há documentários nem ficções, há cinema. E o cinema pode nestes tempos
de perigos e ameaças ajudar as pessoas a serem mais corajosas e mais humanas.