REI ÉDIPO
Tatiana RamosRei Édipo, dos SillySeason, parte do “cânone ocidental” do
mito edipiano de Sófocles para a contemporaneidade, permitindo uma
reinterpretação e reescrita do tempo presente, através da exploração de vários
estágios de reconhecimento e do pathos ético que o acompanha. Segundo Harold
Bloom, Édipo poderá ter um complexo de Hamlet, patologia que o leva a “pensar
não demasiado, mas demasiado bem”. Esta característica tenderá a extinguir-se
ao longo da criação proposta pelo coletivo SillySeason, enquanto símbolo da
distorção do real em que vivemos. Hoje, pensar demasiado bem ou pensar
racionalmente, constitui-se enquanto tarefa impossível, quer face à era
distópica em que se vive, quer face à falta de ferramentas que possibilitem uma
filtragem da informação recebida. Em Rei Édipo, dos SillySeason, o mito surge,
enquanto símbolo do julgamento impossível, imerso em retóricas distorcidas,
futurologia, demagogia e misticismo, sem capacidade para reconhecer a verdade
dos fatos. Esta será a nossa tragédia.
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